
"Nem tudo são flores", já dizia Silvão de Oliveira, antigo amigo e dupla de outrora. É verdade. Numa agência, rosas, cravos, jasmins e bromélias são plantados diariamente, mas ao final da safra acabamos colhendo braquiária, palmas e, vá lá, algumas orquídeas oriundas de hibridação.
Nos primórdios, segundo Alex Periscinoto, não existia dupla de criação. A responsabilidade criativa era do redator e cabia ao ilustrador elaborar o layout, sem interferir nas idéias. Com o passar do tempo, as agências notaram que a parte visual era tão importante quanto o texto e uniram o redator a um diretor. E, para turbinar de vez a causa, logo em seguida surgiu a maior dupla que o Brasil já produziu: Olivetto e Petit. Os caras pintaram e datilografaram com tanta maestria que o conceito de dupla de criação prevaleceu por mais de 25 anos intacto, intocável, acima de qualquer suspeita.
Hoje em dia até que tentaram sacramentar o fim das duplas, através do sistema de grupos de criação, uma idéia que privilegia o trabalho em equipe e deve ter mais algum ponto positivo por mim desconhecido, mas que no final dos brainstorms deve acabar sobrando para no máximo dois figurinhas botar a mão na massa de fato.
Do filé que é o ambiente de criação, a dupla seria o mignon (perdoem-me o trocadilho, mas não sou especialista em cortes de carnes), daqueles de pescoço (tá vendo?), quando paramos para pensar o dia a dia do redator e de seu D.A.. Os caras queimam fosfato como quem prepara uma costela.
Em conjunto pensam, conversam, "rafeiam"; pensam mais um pouco, conversam mais um pouco, "rafeiam" mais um pouco até que, finalmente, eis que surge a luz (no caso da costela, por conta do embrulho no papel alumínio).
Até a idéia ficar pronta, leva-se pelo menos uma noite de trampo. E depois das três e meia da manhã o termo dupla dá lugar aos bravos guerreiros da virada.
Até a costela ficar pronta, prioritariamente, ela deve virar a noite. E se você não for vegetariano, já pode imaginá-la depois de umas 12 horas na brasa.
Boas idéias são assim: suculentas.
Porém, a costela será deliciosamente devorada. E a nossa carnívora comparação pára por aqui.
Já o trabalho da dupla segue cheio das mais sublimes e ternas expectativas papai-noelísticas para as mãos do diretor de criação que, como poderia deixar de ser, mete o bedelho legal, deformando a idéia. Em seguida é a vez do cliente. Uma mutilação de leve aqui, um frankesteinzinho ali e a idéia até que em geral sobrevive, tendo como legítimo apenas o nome de seus criadores.
Por tudo isso, queridos redatores e diretores de arte que formam duplas por aí afora: peguem happy hour juntos. Joguem PS2 juntos. Façam churrascos juntos. Pesquem juntos. Sei lá, façam outras coisas além de peças juntos. Em um trabalho em que nem tudo são flores, seus momentos de Stan Lee e Walt Disney ou quem sabe de George Lucas e Sebastião Salgado, ou ainda dignos de um Shakespeare e Picasso têm mais chances de desabrochar.
Alguém já conhecia este filme?
2 comentários:
Parabéns pelos textos!! Zapeando pela internet achei seu blogger o qual me identifiquei bastante.
Abs e sucesso!!!
ôô meu caro
volte sempre
é um prazer receber um coment e saber da identificação
isso é fera
tamos aê
sucesso pra ti tbém
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