Há exatamente um ano atrás eu escaldava numa combinação entre tensão, ansiedade, dor, confusão e culpa. As doses de cada item eram recalcadas, às vezes variavam, mas nunca me largavam um minuto sequer.
Lembro-me que os piores dias eram os domingos. Talvez pelo fato de eu de certo modo descansar durante os sábados, aos domingos sobrava somente a dor, tão desumana quanto os patrocinadores dela, e de valia somente a transformação que me ocorria.
Antes do rebuliço, eu tinha um desejo bobo: ir a uma árvore que ficava numa pista de motocross abandonada, próximo a uma mata, ao lado do estádio municipal, e atrás do tênis clube da cidade. Por anos e anos eu avistava da rua a árvore e cogitava ir até ela um dia. E isso nunca aconteceria se eu não passasse apuros naquelas manhãs de domingo. Pois foi assim que eu, completamente sem destino, chapado por remédios e morrendo de medo da vida, me dirigi até aquela árvore algumas vezes. Sentava embaixo dela e refletia. Nada me impressionava, eu só ardia. Era nada mais do que um momento só meu, como tantos que eu tinha naquela fase. Mas foi o que mais marcou do ponto de vista visual. Eu e a árvore. Aquela que eu olhava, pensava em visitar, mas nunca ia. Aquela que eu olhava a distância e até via como uma foto, tendo em vista o seu posicionamento no meio do mato. Lá no alto, à frente de uma mata. Folhas com a cor mais do mato ao seu redor do que da mata atrás. Uma árvore que eu não faço ideia qual seja. Com alguns locais marcados por pessoas que provavelmente sentaram sob a sua sombra para fumar um baseado. A árvore que outrora me encantava, mas nunca chegou a causar um impulso que me fizesse visitá-la. A árvore que me fez companhia naqueles domingos que por pouco eu não me matava.
O que tem a declaração de amor com essa história?
Enquanto eu contava isso à moça, ela simplesmente chorava. A narração sincera com ares de valor e superação de um lado, emocionava do outro.
Foi quando eu percebi que a minha dor naqueles dias não moveu um dedo da razão original dela. Mas arrancou lágrimas lindas diretamente da alma de quem mais me ama nessa vida.
2 comentários:
Algumas vezes, as palavras são desnecessárias... Um gesto demonstra muito mais genuinamente o sentimento, que é o que importa...
Música para o momento: "Enjoy the Silence - Depeche Mode"
Feliz de quem encontra pessoas sinceras pelo caminho =D
Beijos, moço!!
ai Maurão,
coisa boa te ler assim.
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