Em Parati tem mandalas para mim e para ti

Não vi gnomos nem extraterrestres em Parati. Mas em compensação o artesanato do centro histórico é dos mais bárbaros que já presenciei até hoje. Se eu pudesse, teria comprado muito mais coisas, pois me rendi à beleza rústica, à luz das velas, aos materiais diversos de formas a compor e a exalar arte. Da mais singular às mais modernas.

Produtos à base de resina me causaram frissons. Quadros e bugigangas pareciam sob medida para a minha casa que eu nem queria mais até ver os objetos criados especialmente para ela.

No sábado à noite, saí às compras em busca do básico: camisetas que fazem aquela clássica propaganda de que eu estive no lugar. Depois, umas garrafinhas de cachaça para minha recém-inaugurada coleção e, por fim, algo que eu pudesse dizer: “esta é A minha lembrança de Parati. A mais sensorial, única e que, de repente, pudesse ser a minha cara - mala, diferente & criativa”.

Pois foi assim que eu ouvi uma melodia toda esotérica ao lado da igreja católica. E, envolto a ela, uma performance mística do produtor de mandalas Alexandre, um cara que recria mundos, órbitas, chapéus, flores, elementos. O que a imaginação for capaz de enxergar.

Em trajetórias circulares, o artista faz compassos na noite e nos emociona com as infinitas possibilidades de suas esferas de níquel e/ou estanho, desenhando a vida, resgatando magias, encantando uma plateia de crianças e adultos que vislumbram o lúdico e o infinito sob um mesmo prisma: o de desafiar nossos olhos além daquilo que eles são capazes de ver.

Alexandre é um vendedor de sonhos e conhece muito bem o produto que negocia com toda a sutileza que lhe é peculiar e que, por consenquência, as mandalas pedem. Parece um artesão que desencanou da vaidade e assumiu a verdadeira essência das retas e espirais que manipula. Completamente apaixonado, o maluco movimenta-se em perfeita comunhão e harmonia com as esferas.

Sua mensagem é aquela que Einstein, DaVinci, Santos Dumont e tantos outros inventores passavam: a de que o equilíbrio compõe as coisas mais fascinantes do micro e do macro universo de tudo o que nos rodeia. Um relógio é uma mandala, assim como a via láctea.

Claro que eu comprei uma o/

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