Semanário de uma dor de garganta

“Ano passado, que eu achava que fosse morrer, não peguei nem resfriado” – foi assim que eu me indignei com uma inflamação do cão na garganta, que tomou minha semana e feriado.

Fiquei de molho - literalmente - diante de uma série de sintomas horríveis, dentre os quais o suor noturno e um desconforto nas pernas que me punha a não entender nada. Nunca havia sentido tamanha coisa chata. As juntas pareciam inflamadas.

Antes que você pense que era gripe suína, aviso: fui ao médico, viu!

Tudo começou numa manhã da semana passada. A friagem havia dormido comigo e, pela manhã, o treino no parque foi sedentário pacas. Na sequência, eu vinha sacando umas mudanças de comportamento, ao mesmo tempo em que refletia a respeito de um sonho que, mesmo não tendo nada a ver e, consequentemente, eu tendo pouca coisa com que se preocupar, punham os neurônios workaholics a trabalho.

E foi assim que a segunda-feira passou com o início da dor de garganta. Na terça, o ar-condicionado da agência me congelava. Percebi um diretor de arte se acabando numa tosse. Ao final do expediente, fui à farmácia e saí de lá com o básico: pastilhas e um pote de mel com guaco.

Na quarta o bicho pegava. Havia suado pela primeira vez na cama. Me sentia tão mal no trabalho, o ar-condicionado parecia que estava mirado pra mim e, após o almoço, saí em busca de um Posto de Saúde. Encontrei um poucas quadras da Alta e tive de aguardar duas horas e meia para saber que não poderia ser atendido pelo médico pois, o doutor, todo camarada, já havia colocado 5 pacientes além da sua cota diária de atendimento. Minha febre rompia os 37 graus.

Voltei à agência e delirava. As pernas não falavam a mesma língua do tronco. Mas criei, fiz coisas do arco da velha, mas duvido que seria reconhecido, pois me escorei demasiadamente na Internet para facilitar a passagem do tempo... Fiz o que era possível para resolver um job comemorativo e saí pontualmente às 18 horas. Se algum nariz ficou torcido, o meu estava latejando o ar-condicionado. Parei direto no hospital.

Mais duas horas de espera. Febre 38,2 e aquela máscara de brinde. Já me considerava um porco quando fui atendido pela Carol. Uma estudante de medicina linda que foi gentil e me confortou tremendamente quando disse: “Não é a gripe. Seu peito está limpo, suas narinas estão limpas e você está com as amígdalas inflamadas. Pode tirar a máscara.”

Adorável. Explicou sobre a nova gripe, a mutação do vírus, o exagero da mídia, como é o tratamento, como os Estados Unidos vão encarar a chegada do inverno por lá e até conversamos sobre nossas áreas :-P

Saí de lá até mais recuperado, com uma injeção de Dipirona na veia e uns comprimidos de anti-inflamatório. Lá fui eu para a saga dos suores noturnos. Quarta o/ Quinta o/
Sexta, véspera de feriado, e eu não esboçava melhoras. Parecia que tinha febre durante as tardes e a noite eu ainda escaldava.

Todo mundo indo viajar e restou a mim retornar à farmácia. Estava sem febre, mas o corpo tava detonado. Saí de lá com outro anti-inflamatório, mais moderno do que o ultrapassado Diclofenaco.

E o cara me preparou para outra noite de suor. Na boa, meu suor já cheirava remédio. Éca. Credo.

Sábado e nada de melhoras. Começava a perceber secreções. No domingo eu não aguentava mais. Passei na farmácia mas já estava convicto de que deveria aceitar o convite da Carol: “se não melhorar, volte...”

Comprei um antibiótico, mas a noitinha voltei ao hospital. Após relatar tudo isso ao doutor, ganhei uma Benzetacil no traseiro.

7 de setembro, o feriado da independência, foi o melhor dia. Suei, sim, mas brandamente, e havia nuances de melhoria contínua. As pernas retornaram daquele marasmo. Estão mais fraquinhas, é verdade, mas a apatia já era. Não sei se aguentam meia hora de corrida mas creio que já posso tentar.

Adotei uma blusa Adidas Running, a popular quebra-vento, super leve e desses tecidos cheios de tecnologia para encarar o ar-condicionado do trabalho. E aqui estou, após o nocaute das amígdalas, torcendo para enfim curtir o próximo feriado.

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