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A FORMAÇÃO - PARTE I
"Concurso de Animais de Estimação". Dizia o cartaz que ficava bem em frente à cantina da escola. Téo, Xis e Rico, amigos que sempre brincavam na hora do recreio, se surpreenderam com o comunicado:
Téo: Você tem algum cãozinho, Rico?
Rico: Eu não. Você tem, Xis?
Xis: Não tenho...
Uma menina que estava um pouco atrás deles, completou: Eu acabei de entrar na escola. Acho que não preciso me preocupar com isso, né...
Todos olharam surpresos. Tratava-se da Mel, a nova aluna que mudou-se recentemente ao bairro, vinda do exterior. Ela estava na classe de Téo, mas ainda não havia feito nenhum amigo.
Téo: Melhor falar com a professora Margô. Só ela pode nos ajudar.
E foram os quatro à procura da professora Margô. Chegando ao local em que a professora se encontrava, eles perceberam que mais gente estava desesperada:
"Mais" (sic), tia... Eu tenho que inscrever o Pingo! Ele é muito mais bonito e limpinho que esses cachorros por aí!
Eu sei, Isa. Ele realmente é lindo, mas o concurso é de mascotes, animais de estimação, não de amiguinhos do peito, entende...
Ele é tudo isso aí, tia... Três em um! Fala pra ela, Pingo...
E esboçou um choro. Isa era uma garotinha levada da breca que fazia o jardim da infância. Não desgrudava de seu bichinho de pelúcia, o jacaré Pingo, por nada desse mundo. Para ela Pingo era muito mais que um mero animal de estimação.
Téo: Com licença, professora Margô, mas a gente também não tem um bichinho de estimação...
Professora: Isso não é problema, Téo. Mas desde já vocês estão convidados para conferir o concurso e conhecer os mascotes de seus amigos de escola. Com certeza, os bichinhos e os amiguinhos irão gostar muito da presença de vocês!
E saíram as cinco crianças, se não desoladas, ao menos conformadas: elas não eram as únicas.
Xis: Eu só vou ao concurso se vocês vierem comigo. Se passar vergonha, não passo sozinho, oras... Alguém topa?
Isa: Eu e o Pingo topamos! Quero só ver a cara daqueles cachorros feios quando verem o meu bichinho...
Rico: Legal!
Téo: Combinado.
E olharam fixamente para a Mel, na expectativa da nova aluna também aceitar o convite.
Mel: Podem contar comigo.
Uma semana depois lá estavam eles no concurso, totalmente constrangidos diante do grande número de animais de estimação pomposos, lindos, brilhantes e cheirosos. Os donos, verdadeiros gentlemen-mirins, superorgulhosos, exibiam as premiações, menções honrosas e repetiam todos os elogios recebidos pelos professores.
Rico: Que mico!
Mel: Nem me fala...
Isa: Se quiser, pode falar que o Pingo também é seu. Quer levar ele, Xis?
Xis: Valeu, mas eu ainda prefiro um bicho que jogue bola comigo, nade, corra, pule...
Téo: E se a gente comprasse um animalzinho pra gente?
Rico: Boa! Vai ter uma feira de animais na cidade em breve! Mas... Um animal pra cinco crianças dividirem?
Téo: Isso mesmo! Daí a gente forma uma superturma, pra brincar muitão ao lado do novo mascote!
Mel: A turma do Mico?
Rico: A turma do Bicho?
Isa: A turma do Pingo!
Xis: Uma turma tudo isso!!
Téo: É! Um mix de tudo o que faz parte da vida da gente. Uma Turmix!
Todos: Legal! Turmix!
Mel: E o que é melhor: com um bichinho só nosso!
Isa: Desde que ele goste do Pingo...
Todos riem. Acabava assim a história de formação da Turmix. Mas ainda faltava um integrante.
A FORMAÇÃO - PARTE II
A turminha está ansiosa para visitar a Feira de Animais da cidade.
Cada um deles poupou o máximo que pôde de suas mesadas, durante todo o mês, para juntos comprarem um mascote.
Desde aquele fatídico episódio no concurso de animais de estimação na escola, no qual Téo, Rico, Isa, Xis e Mel, "pagaram o maior mico" por não terem nenhum bichinho para apresentar, eles não pensavam em mais nada.
Reuniam-se semanalmente num clubinho - uma casa na árvore que fica no quintal da casa de Téo - afim de somar suas quantias e sonhar com as possíveis brincadeiras ao lado do mascote.
É verdade que as crianças tinham certas dúvidas e diferenças de opiniões sobre a escolha do bicho ou da raça, mas uma coisa estava certa: queriam um mascote que fosse a cara deles.
E o tão esperado dia enfim chegou. Um domingo de céu azul e sol a pino.
Mel foi uma das primeiras a chegar ao local combinado para a saída. Na verdade, ela também queria inspecioná-los, consciente ecologicamente que é. Mas ainda faltava Xis:
Téo: Pra variar, quem está faltando...?!
Isa, furiosa: E pela milésima vez!
Rico, apreensivo, olha para o relógio: Anda Xis, deixa o basquete pra depois... Chega logo, chega...
Xis finalmente vira a esquina todo apressado.
Isa: Ufa! Já era hora...
Xis, terminando os meus alongamentos: É que o jogo foi pra prorrogação, gente. Sabe como é...
E enquanto caminham pelas ruas, comentam as suas opiniões sobre o possível mascote:
Téo: Uma chinchila nos espera!
Rico: Ou será um furão com jeito de fujão?
Ambos riem. Isa, exibindo o seu querido bichinho de pelúcia, diz:
Tem que ser uma iguana. Pra ser amiga do Pingo...
Mel: Desde que autorizado pelo Ibama, sem problemas.
Na feira de animais, os bichos estão em gaiolas, cerquinhas e aquários. Primeiro eles avistam os pôneis, depois os coelhos... Rico vai ticando as vantagens, desvantagens e o que é mais importante: o preço de cada animal em sua prancheta.
Isa fica logo encantada:
Ah, os coelhos têm os dentes branquinhos...
Rico: Mas eles são muito prolíferos.
Xis: Pro o quê?
Rico: Criam muito, Xis. Têm filhotinhos a cada 2, 3 meses.
E a Turmix caminha feira adentro. No local dos répteis, Isa logo desiste da iguana devido o preço do réptil. Os roedores em geral (chinchila, camundongo, esquilo) também são descartados. Pássaros, peixes e gatos são minuciosamente observados, analisados... E nada!
No local dos filhotes de cães, a dúvida ficou pior: Um São Bernardo, grande e companheiro, ou um Chihuahua, pequenino e travesso?
Mas na verdade as economias que eles dispunham não era suficiente para comprar nem um nem outro.
Desapontada, as crianças já pensavam em se contentar com um passarinho qualquer quando Mel avista, num canto isolado, um cão amarelo que não era tão novo, e que se coçava intensamente.
Tem um cão pulguento ali no canto que deve ter um preço bem mais em conta...
Isa: Pulguento? Argh...
Rico: Nada que um bom banho com xampu antipulgas não resolva...
Téo, pensativo: O que vocês acham?
Xis: Ele tem jeito de que adora brincar de bola!
Mel: Parece bem amigo...
Isa: Se ele souber escovar os dentes...
Téo: Moço, quanto custa este cachorro?
O vendedor tenta levá-los para o lado dos outros filhotes: Vejo que vocês querem comprar um cãozinho de estimação. Muito bem, muito bem!
E indica outras raças e filhotes: Vocês conhecem a raça dálmata, olhem o shar-pei... E tem ainda este husky siberiano!
Isa: Mas, tio.... A gente quer saber qual o preço desse cãozinho amarelo, pulguento aqui, ó...
Xis: ... Só pra saber se o dinheiro que a gente tem dá pra comprar ele...
Vendedor: Bem, esse cão não está mais à venda...
Téo: Pôxa...
Vendedor: Ele ficou encalhado, cresceu e ninguém quis mais...
Isa, comovida: Mas a gente quer...
Vendedor: Além do mais a raça labrador também não é tão barata...
E Rico, antecipa-se: Eu peço mais dinheiro para o meu pai...
Vendedor: ... Mas já que vocês gostaram dele...
Téo: Legal, vende ele pra gente!
Vendedor: Eu dou o cachorro pra vocês...
Todos: Eba!
Xis, emocionado: Valeu, tio...
Vendedor: ... Mas com uma condição:
Rico: Qual, qual, qual?
Isa: Lá vem...
Mel: Psiiiiiii...
Vendedor: Prometam cuidar dele com a mesma dedicação que acabaram de mostrar agora.
Todos: Prometemos!
O vendedor pega o cão e entrega-o aos garotos:
Ah, o nome dele é Ubaldo, mas vocês podem mudar se preferirem.
Isa: Ubaldo!
O cão arregala os olhos, assustado, mas vai com as crianças.
Téo: Ubaldo, o mais novo membro da Turmix!
Rico: E o melhor é que ainda sobrou dinheiro...
Xis: ... Pra gente comprar a casinha dele!
Risos. A turminha vai embora feliz levando o seu novo mascote. Ubaldo finalmente arrumara um dono. Na verdade, cinco. A turma Turmix estava completa.
(escrevi esta história em 2006)
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