O texto mais vazio de todos os tempos


Não trata-se de uma página em branco. Nem de ø. O texto mais vazio de todos os tempos tem de expressar uma sensação vazia mas ao menos coerente, nula, mas, quem sabe, sensata. Antagonismo e sinônímia no mesmo vácuo sideral.
O texto mais vazio de todos os tempos nem de longe chega a ser desafio. Escrever muito ou nada nO texto mais vazio, que diferença faz. A pedida é que ele seja vazio no teor e na legitimidade da sua essência livre, desocupada. Como um corpo destituído de orgãos, um arco-íris destituído de cores, a gente sem direito de ser.
O texto mais vazio nem pretende provar que a ausência total de sentimentos, que deveria ser nula, é ruim. Isso seria conteúdo demais para o texto. Um paradoxo interessante ao texto mais vazio seria dissertar sobre o motivo de o vazio existencial denotar crises incessantes.
Por exemplo, quem não se indigna frente a mortes de celebridades hollywoodianas? Estrelas, jovens, lindas e famosas. Mortes sem quaisquer por ques. Qual o sentido de ser vazio, preenchendo os sonhos da multidão; chegando ao topo, onde o número limitado de espaços vagos são, a qualquer custo, ocupados?
Esse vazio que emana sentimento algum, como pode causar dor, sensação essa que raramente deixa espaço para outra: onde há sofrimento não cabe quase nada. Já o vazio se enche de dor.
Deserto sem areia. Lacunas completas por vácuo. De algum lugar, o sem lugar algum. O texto mais vazio de todos os tempos ficou vazio de mim, mas tomou corpo com palavras. Começo, meio e fim.
Bom seria se todos os vazios acabassem assim (...)

Um comentário:

Anônimo disse...

Keep up the good work.