observatorium

Tenho observado muito. Não só a mim, mas também aos outros quase que na mesma intensidade que venho observando uma gatinha que, de tão inteligente e manhosa, põe em questionamento o meu ranking de gostar de cães, peixes e pássaros.

Meus olhos estiveram sempre atentos. Só que mil vezes fui observado do que observei. No meu caso, os olhos estavam atentos, mas as causas não eram as hipersensoriais de agora. No máximo eu me limitava a ver se estava sendo paquerado por mulheres ou bichinhas.

Hoje eu não preciso focalizar minhas vistas para observar. Os olhos estão nas costas assim como os ouvidos observam, o cérebro, o nariz observa e até as mãos ao tocar outras.

Observar tomou forma em mim.

Um livro é meticulosamente estudado. A capa, a introdução, o assunto, capítulos, imagens, bibliografia e até onde ele será guardado. Observar invade a minha noite ao dormir com alguém que de repente se torna alvo das minhas observações.

Eu também observo o trânsito e os colegas de trabalho. E vejo o quanto o corre-corre dos carros correlaciona-se ao dia-a-dia da agência. São ruídos, buzinas (o péénnnnnnnnnnnn virou mania), o som e tom de fala alto, somados a rostos estressados, iguaizinhos aos que se presencia nos engarrafamentos da Portugal com a 9 de Julho.

Meu observatório da imprensa passa por blogs, twitters, PSV – o meu filhinho amado - que só acontece graças à dedicação de umas 2 mil pessoas que eu observo, embora sem dados qualitativos das mesmas.
Mas palavras escritas dizem muito sobre qualquer pessoa, independente da quantidade. Recentemente, li um texto bem escrito por uma pessoa que, há anos contagiada pelo amor, não teria tantos cuidados estilísticos para expressar um sentimento como a atual indiferença.

Mas eu não observo simplesmente porque leio, vejo, ouço, cheiro, lambo, toco e raciocino. Eu observo porque é diante das observações prematuras das pessoas que posso tirar as minhas, muito mais fundamentadas e precisas. Eu observo porque é diante do mau uso dos sentidos das pessoas que posso potencializar os meus: enquanto alguns reagem por mera desconfiança, eu reajo por real observança.

Eu observo porque é assim que eu harmonizo com os locais e as pessoas, os animais e elementos. Tal qual alguém que foi erroneamente observado e agora só quer mostrar como é que se faz.

Um comentário:

M.M. disse...

Achei tão interessante seu texto!
Sempre fui muito observadora. Atenta a tudo e a todos. E, ultimamente, queria ter uma atitude mais blasé diante da vida. Não ver o tempo passar. Não saber sobre e tudo e todos que estão ao meu redor. Mas não consigo. A percepção está grudada em mim, não me deixa esquecê-la.
Somente por um dia, queria não observar...

Ótimo texto!
Boa semana pra você,
Beijos